Uma lettera para Clara (# 26)

ragusa 25 doors 1small25 doors in Ragusa

Dear Clara

Spring seems almost here in Ragusa, and I would think as well in Lisboa.  I recall the blooms of Bougainvillea and the Jacaranda trees, the flush of light and blue skies, and the outdoor sardine cafes, the color stains on the old walls, and everything that makes Lisboa such a wonderful place to be.  The first of May just slipped by, which reminded me of the restaurant in Bairro Alto by the same name.

Here I busy myself with taking many photographs, a bit of painting (trying to get back in the mental space for it), and films.  Marcella just finished the almost final edit of a long new film on dance, Again and Again, with Korean choreographer Ahn Eun me as she developed a new work.  And started shooting one here, some kind of essay-film.  If all goes well we’ll be invited to the Yamagata festival (where you went in 1997), and then to Korea.  If…

And another “if” is that I sent a small short film to the festival in Vila do Conde, and should it be invited I’d plan to pass through Lisboa – perhaps to screen some films at the Cinemateca, but mostly, if at all possible, to see you.

40-05SMLisboa, 1998

I say this, as recently a friend of mine, Dan Cornell, aged 70, seemingly in good health, died in Butte, apparently in his sleep.  Such things are a reminder (as were the deaths of a few other friends of mine last year, both younger than me by a few years) that at this age, even if one appears to be well and healthy, death may arrive any time.  As I have written you now a handful of times, I think it is important for you and your life, now and in the future, that we meet.   My time, whatever it is, grows shorter with each day.  For some thoughts on this, see here.

40-04SMLisboa, 1998

Some time ago I said I would tell you what happened after you were taken, in legal terms “abducted” and then held in Portugal by your mother, with the collusion of the juvenile authorities there.   Despite having twice violated Italian and international law, committing perjury in court, chronically violating the terms of her temporary custody of you, your mother was in due time given permanent custody of you, the terms of which she violated immediately.  My “right” to see you was simply broken, and since that time I have been unable to see you, mail sent to you was returned.  Teresa behaved like a text-book example of the parental alienator.  I am rather sure that she, and probably the rest of her family, either simply never spoke of me, or if they did, they spoke very ill of me, and most likely told you many false things, supposedly about me.  That would be rather normal in a case like this.

In 2001, once it became clear that under the situation that you and I both faced, I began a long two year effort to secure your rights though the Portuguese political system.  I wrote letters to the juvenile authorities, to the Procurador Geral, and on up to the Prime Minister, at the time, António Guterres, and then José Manuel Barroso, and to the President Jorge Sampaio.  I gathered e-mail lists for the Judiciary, Juvenile Authorities, and Executive and sent them hundreds of letters, most of the “open letters.”  In many cases I received responses – the normal governmental denial of everything – from the Prime Minister on down.  I frontally accused them of corruption, and naturally they politely denied it.

I did the same with journalists and reporters, and sent 100’s of letters to the newspapers. In one case I was interviewed, and the reporter ended her commentary saying in effect that Mr. Jost does not know that one is not allowed to say the government is corrupt.  [Unfortunately I cannot find a copy of this article in my digital archive here, nor on line’ it was by a journalist, Adriana Vale, in O Independente.]

At the time in Portugal it was taboo to say out loud that the government was corrupt, and I was told by some that I was “crazy” and that I should simply be quiet.

CLARA20PRO

CARTA ABERTA

a Sampaio, Barroso, Souto Moura, Celeste Cardona e outros.

1, Sept. 2003

Para: Jorge Sampaio, Presidente, Durão Barroso, Primeiro-Ministro, Adriano Machado Souto Moura, Procurador-geral, Celeste Cardona, Ministra da Justiça, Juíz Magalhães, Tribunal da Relação de Lisboa, Juiz Sapateiro, membro do Conselho Superior de Magistratura, Rui Machado e Moura, Juiz

Caros Senhores:

Em Junho de 2002 foi-vos solicitado que conduzissem Portugal ao cumprimento das suas próprias leis, e também ao cumprimento da convenção internacional da qual é signatário e à qual é legalmente vinculado, a Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças, face às acções flagrantemente ilegais dos Tribunais de Portugal, do Procurador Geral e do Presidente da República no que diz respeito ao rapto da minha filha, Clara Jost, da sua residência em Roma em 2 de Novembro de 2001, por Teresa Villaverde.

Ficaram de sobreaviso que no caso de não cumprirem a vossa obrigação legal, moral e ética e conduzirem Portugal a tais caminhos de legalidade, e no caso de ser necessário como forma de assegurar os meus direitos legais bem como os da minha filha, o Governo de Portugal seria destituído. Em tal altura, todos vós e o sistema político que representam, foram apontados, e com certeza, como sistematicamente e institucionalmente corruptos. Estava seguro em tal altura que imaginavam a possibilidade do colapso do vosso governo como um assunto inconcebível e não equacionável. Na altura afastaram as acusações de corrupção de uma maneira típica de todos os sistemas corruptos e seus funcionários.

 

No ano seguinte, a vasta corrupção que envolveu o Governo e as estruturas judicias de Portugal, e consequentemente a sociedade civil amplamente infectada pelas duas primeiras mencionadas, foi revelada – apesar dos constantes esforços em escondê-la e negá-la.

Ninguém, excepto aqueles como vóshomens e mulheres gritantemente corruptos de carácter moral nulo – podem dizer hoje ao Povo português e afirmar que Portugal não é uma sociedade profundamente corrupta, e gravemente ferida face a essa mesma corrupção.

É uma corrupção da qual cada um de vós é total participante e cúmplice, e pela qual são de todo responsáveis. É vossa a vergonha, e decerto que a história de Portugal vos lembrará apenas no vosso falhanço gritante face às vossas obrigações, e que apenas se distinguiram pela enorme fraqueza moral do Governo a que presidem.

Em Junho deste ano, 2003, foi-vos de novo exigido e requerido que levassem Portugal ao respectivo cumprimento das suas leis e das suas obrigações internacionais, e que fizessem com que Clara Jost fosse restituída ao seu pai, de acordo com o disposto na Convenção de Haia. Foram informados de que no caso de fracassarem em tal, seriam utilizados meios e agentes de forma a assegurar que a Justiça fosse levada directamente até às vossas portas.

A divulgação de documentos confidenciais da Casa Pia, mostrando a directa cumplicidade das partes envolvidas na administração desta Instituição numa tentativa de encobrir os mais abissais crimes do vosso governo, e evidenciando também a clara cumplicidade do dr. Pedro Strecht, nomeado pelo Governo para presidir a comissão destinada a investigar os crimes cometidos na Instituição, não passa de um sinal transparente e directo de que a corrupção que infecta todo o sistema governativo e judicial Português é dirigida dos mais altos níveis. Mostra também o vazio moral e ético que vos trespassa: face à mais óbvia evidência da participação de Catalina Pestana e de Pedro Strecht numa conspiração institucionalizada com o fim de proteger altos membros do Governo – passado e presente – nem uma simples personalidade da classe política exigiu que Pestana fosse demitida da sua posição, ou que Strecht fosse igualmente demitido, apesar das provas claras das suas posições amplamente comprometidas.

Ao invés, e por toda a classe política, surgiu apenas um silêncio acompanhado de esforços claros para suprimir os media e controlar as fugas de informação que surgissem para o público português.

A razão para o vosso comportamento é clara: a mesma corrupção que vos rodeia, também vos envolve: são uma parte dela e não podem denunciar este caso óbvio sem arriscarem uma consequente exposição da vossa própria cumplicidade e crimes.

No futuro imediato, documentos de outras instituições do governo e dos tribunais portugueses serão revelados, e denunciarão a total corrupção que envolve todo o sistema, bem como denunciará o vosso papel pessoal nessa mesma corrupção.

A desgraça que vos rodeia é da vossa própria criação: a desgraça de pessoas imorais e sem nenhuns valores éticos; a desgraça de pessoas que não conseguem, desde as suas posições institucionais de “autoridade”, falarem ao povo português uma única palavra honesta.

As únicas palavras honestas que deveriam produzir falar seria uma confissão que, através de vocês, e do sistema que conduzem, e da corrupção que vocês representam, Portugal foi guiado para o seu ponto mais baixo na história moderna, e que vocês, pessoalmente, são total e completamente responsáveis por esta situação degradante.

A sordidez da Casa Pia.

A sordidez do caso Moderna.

A degradação de 400 000 hectares ardidos nos fogos de Verão, muitos dos quais ateados por pequenos criminosos que seguiram exemplos de puro roubo aos mais altos níveis governamentais: Paulo Portas, António Guterres e cada um de vós.

A sordidez da maior taxa de SIDA na Europa, e em constante crescimento.

A pior economia da Europa comunitária, e ainda a deteriorar-se (o desemprego subiu 28% num simples mês).

Uma infra-estrutura física à beira do colapso.

A sordidez da vossa incompetência face à miríade de problemas profundos que invadem Portugal, sendo que todos são consequência directa da flagrante corrupção que submergiu a sociedade política, judicial e civil de Portugal nas últimas décadas.

Uma sordidez assinalada pelo comportamento totalmente evasivo que os principais líderes portugueses têm evidenciado nos passados 17 meses, como o desastre que criaram, que tem sido evidenciado publicamente; o silêncio de culpa, a incapacidade para a mínima auto-honestidade face à catástrofe a que conduziram Portugal.

Este é o vosso legado.

A corrupção que rodeia o caso do sequestro da minha filha por Teresa Villaverde, onde uma família de influência conseguiu contornar a lei nos seus próprios interesses, para corromper os tribunais e os gabinetes do poder executivo, é exactamente a mesma corrupção vista nos abusos criminosos e imorais da Casa Pia, e a vergonhosa venialidade e ilegalidades expostas no caso Moderna. Não é coincidência que o dr. Strecht tenha sido citado no tribunal de Rui Machado e Moura como um “perito” e que, alegadamente, forneça “aconselhamento”, altamente contrário à moderna prática pedopsiquiátrica; o mesmo dr. Strecht que enviou crianças abusadas directamente para o controlo de “Bibi”.

Na mesma quotidiana corrupção que trespassa o povo de Portugal faz décadas, e que os levou à conclusão que nada pode ser feita, e que em vez de modificar a situação é melhor para eles entenderem essa corrupção – numa aceitação passiva, como no incendiar de vastas parcelas de terra esperando uma compensação dos seguros, no não pagamento atempado dos impostos, em actos e comportamentos anti-sociais que demonstram um cansaço espiritual face à constante corrupção que exala das instituições formais da sociedade.

A taxa elevada de toxicodependentes, SIDA, o número elevado de mortes devidas ao tráfico, aos abusos sexuais, constitui um espelho directo da substância podre que é igualmente demonstrada aos mais altos níveis da sociedade de Portugal.

É uma corrupção moral, política, ética e legal gigantesca que invadiu por completo a sociedade, graças ao completo fracasso daqueles que supostamente a deveriam guiar:

eles claramente guiam-na, e o resultado dessa direcção está à vista de todos.

Exijo de novo que Portugal seja conduzido ao cumprimento das suas próprias leis e dos acordos internacionais aos quais está obrigado, e – demasiado tarde para evitar danos de uma vida inteira para a minha filha – restituírem Clara a sua casa.

Agentes e meios continuarão a ser empregues para levar uma justiça apropriada a todos aqueles que se uniram para violarem as leis que supostamente deveriam fazer cumprir, no caso de Clara Jost, e em imensos outros casos nos quais as “autoridades” de Portugal são de facto os criminosos.

A JUSTIÇA SERÁ LEVADA, POR INTEIRO, ÀS VOSSAS PORTAS, PELOS CRIMES QUE COMETERAM CONTRA A MINHA FILHA, E CONTRA A MINHA PESSOA, E CONTRA O POVO PORTUGUÊS.

Sequence 01SM

Below is what it looked like as an e-mail.  It went to many hundreds of people in the government and the press.  It is one of very many such postings and letters written in the period 2001 – 2004 and sent widely through Portuguese society.

open letter 2003

I note that if one checks the Portuguese newspapers, when I began this effort in 2001, one will find virtually nothing regarding the general corruption of the government and society of Portugal.   However after I openly – as in these emails and letters, and discussions with the press – accused the government of corruption, within a year or so, it became a visible and generally open and public matter.  Perhaps that had something to do with me, most likely along with the many blatant and sordid things happening in Portugal which the government attempted but failed to fully hide.  Such as the case of Casa Pia in which the child psychiatrist Pedro Strecht – who is/was Teresa’s “friend” and advisor, both on her film Os Mutantes and also in her case with you, and whom I believe probably saw you – was involved, and not in a good manner.

I worked on this process of attempting to secure your and my rights, more or less full-time, from mid-2001 until late 2004.   At that point it was hardly a taboo any more to speak of corruption in Portugal, though the corruption did not stop (instead it arrived in full force in the United States, and today in America our corruption makes Portugal’s look as small as Portugal is.)   But, sadly for me, I accomplished nothing in securing our rights, as daughter and father.  Instead your mother continued to violate the terms of her custody, and continually blocked all contact between us.  The authorities in Portugal never did a thing about that.

I will save all these letters for you, in case at some time in your life you wish to see them, though seeing just a few is really all you need to know.

Clara in Japan, October 1997

That is enough for this time.  In a bit I will send some snapshots of Ragusa and this part of Sicily.  In a few weeks a friend from New York City will come to visit and we’ll be doing a bit of travel with her.  Lots to see.

Hope spring is lovely there, as I know it can be, and that your work at school is enjoyable and you are learning a lot.  I will let you know if indeed we are headed to Vila do Conde and Lisboa.

Amo-te, Clarinha.

Teu pai,

jon

DSC08651CCSMFrom the cemetery in RagusaRAGUSA FLOATING MONT2XsmCollage of Ragusa

Amo-te, Clarinha !

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